Os Salmos Perdidos de Davi

Uma Informação Surpreendente
Na Bíblia Hebraica tradicional, existem 150 salmos e cânticos. Desses, 73 são atribuídos a Davi.

No entanto, o trecho de um manuscrito do século 2 a.e.c. encontrado junto a vários salmos, nas cavernas do Mar Morto, faz uma afirmação impressionante:

“E eis que Davi filho de Jessé foi sábio e brilhante como a luz do sol; um escriba, homem de discernimento e perfeito em todos os seus caminhos perante Deus e os homens.

O ETERNO lhe deu um espírito brilhante e de discernimento. Ele escreveu 3.600 salmos e 364 cânticos para cantar perante o altar para o sacrifício diário perpétuo, por todos os dias do ano; e 52 cânticos para as ofertas de sábado; e 30 cânticos para as luas novas, para as festividades e para o Dia da Expiação.

Ao todo, os cânticos foram 446, além dos 4 cânticos para fazer música em favor daqueles que foram acomedidos por espírito maligno.

Todos esses ele proferiu através de profecia, que lhe foi dada perante o Altíssimo.” (11Q5 – Col. 27)

Análise do Manuscrito
Segundo esse manuscrito, o universo de composições davídicas não se limitaria aos 73 salmos e cânticos, mas sim a um impressionante número de 4.050!

Alguns desses salmos mencionados em Qumran também se encontram no cânon da Bíblia Siríaca, que contém não apenas 150, mas sim 155 salmos. E contém 5 salmos atribuídos a Davi.

Infelizmente, a maioria dos salmos e cânticos em Qumran encontra-se degradada pela ação do tempo, sobrevivendo apenas na forma de fragmentos. Dentre eles, há um salmo adicional atribuído a Davi, específico para exorcismo (o que será objeto de outro artigo).

Isso elevaria o total de salmos e cânticos davídicos para 79. Ainda assim, restaria a pergunta: Onde estão os outros 3.971 salmos e cânticos atribuídos a Davi?

Pode ser que os 3.600 referidos pelo manuscrito sejam um número teórico ou simbólico, uma tradição que indicaria que Davi compôs muita coisa.

No entanto, a maneira como o autor de 11Q5 fala sobre os 450 cânticos – 446 litúrgicos e 4 de exorcismo – é certo que esse número não é figurativo.

Em outras palavras: Do universo de composições atribuídas a Davi, temos como afirmar com bastante convicção que 371 realmente se perderam. A pergunta é: Por que?

Motivos para a Perda
Existem diversas possíveis teorias para isso:

Teoria 1 – Pseudo-Epígrafos
A teoria mais provável é de que muitos desses salmos seriam considerados pseudo-epígrafos. Isto é, salmos atribuídos a Davi, porém de autoria real desconhecida. Essa prática era bastante comum à época dos tempos bíblicos.

Porém, isso não justificaria a eliminação das obras. Até porque, sabe-se que pelo menos uma parte dos 73 salmos bíblicos tradicionalmente atribuídos a Davi também não foram escritos por ele, pois trazem linguagem pós-exílica.

Teoria 2 – Composições Menores
Outra teoria que tem algum mérito é a de que Davi escreveu muita coisa. E que seria impossível preservar absolutamente tudo que ele escreveu. Afinal, preservar textos na antiguidade era tarefa bastante árdua.

Pode ser que boa parte do que Davi escreveu realmente tenha tido por objetivo servir de liturgia no Tabernáculo. Assim sendo, os salmos mais belos (ou prediletos dos líderes de Israel) teriam sobrevivido.

Teoria 3 – Omissão Intencional
Por mais que salmos e cânticos sejam, em sua maioria, inócuos, é inevitável que tragam alguma teologia interna. E, como prevaleceu a teologia dos grupos vencedores, essas composições foram relegadas a segundo plano.

De todo jeito, permanece a pergunta: Aonde estão os 371 salmos perdidos de Davi? Ou seriam mesmo 3.971?

Conclusão Herege
O autor herege acredita que a verdade não esteja numa única teoria exclusivamente, mas que essas três teorias tragam, juntas, a resposta.

É bem provável que Davi tenha mesmo escrito muito mais coisa do que foi possível preservar. Se mesmo hoje há composições perdidas de músicos famosos, imagine nos tempos bíblicos.

Também é certo que salmos foram escritos em nome de Davi. Aliás, o termo hebraico leDawid pode ser traduzido como “de Davi” ou “para Davi”, podendo até se tratar de homenagens. Nem todos esses cânticos e salmos se tornariam populares.

Por fim, também é bem provável que a agenda teológica tenha levado algumas dessas obras a serem destruídas. Ou, pelo menos, que tenham deixado intencionalmente de serem preservadas.

De todo jeito, o autor herege gostaria muitíssimo de ter acesso a esses textos e o que dizem. Quem sabe venham ainda a ser descobertos um dia?

Bibliografia
VERMES, Geza. The Complete Dead Sea Scrolls in English. Londres: Penguin Books, 1995.

WISE, Michael; ABEGG Jr., Martin; COOK, Edward. The Dead Sea Scrolls: A New Translation. HarperCollins: São Francisco, 2005.

A Festa Perdida da Aliança

Uma Festa Agrícola
Na Lei de Moisés, no livro de Levítico, encontramos a seguinte observação:

“Depois para vós contareis desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerdes o molho da oferta movida; sete semanas inteiras serão. Até ao dia seguinte ao sétimo sábado, contareis cinquenta dias; então oferecereis nova oferta de alimentos ao Senhor.” (Levítico 23:15,16)

A origem das festividades bíblicas é predominantemente agrícola, começando pela festa das primícias da colheita da cevada na primavera, conhecida como a Festa dos Ázimos.

A segunda festa é conhecida como Festa das Semanas, referindo-se à nova oferta de alimentos feita pelos israelitas sete semanas depois da primeira. Muito provavelmente, quando começava a colheita do trigo.

É a festa conhecida no meio cristão como Pentecostes, em virtude da Septuaginta trazer Pentēkostē, que no grego significa cinquenta – pois a festa era celebrada um dia depois das sete semanas (7×7 = 49).

Outra Tradição Mosaica
Existe, contudo, uma outra tradição, de tempos em que os costumes bíblicos ainda não estavam tão consolidados e, possivelmente, que as variantes textuais dos manuscritos permitiam outras interpretações.

Uma obra que persistentemente faz isso é aquela chamada de Livro dos Jubileus, uma obra do século 2 a.e.c. que re-narra os acontecimentos e as leis de Moisés de uma maneira bastante diferente. Essa obra, muito importante para a seita de Qumran no Mar Morto, ainda permanece no cânon da Bíblia dos judeus etíopes, bem como também dos cristãos etíopes ortodoxos.

Muito provavelmente, Jubileus foi escrito na comunidade de Alexandria, por judeus que, descontentes com o sistema religioso (tido como corrupto) do Segundo Templo, buscavam pautar suas práticas noutras origens. O livro procura fortemente associar as festividades bíblicas com os costumes dos patriarcas de Israel.

O mais curioso de Jubileus é que ele entra em choque com diversos trechos do Pentateuco tal qual o conhecemos, mas sem deixar de ser extremamente religioso – muitas vezes, mais até do que a recomendação do próprio Pentateuco. Reconhece a revelação dada a Moisés no Sinai, mas ainda assim combate abertamente determinados pontos do texto bíblico.

Teria Jubileus sido escrito numa época em que o texto bíblico era mais fluido e prevaleciam as tradições orais? Ninguém sabe.

Festa das Semanas ou dos Juramentos?
Mas, um dos fatos mais curiosos sobre Jubileus tem a ver justamente com a Festa da Semanas.

No hebraico, a palavra “semanas” (shavu`ot – שבעת) se escreve de maneira idêntica à palavra “juramentos” (shevu`ot – שבעת), a diferença estando apenas na primeira vogal. Porém, o texto bíblico original não era escrito com vogais, que são um artifício criado muitos séculos depois.

Em outras palavras, olhando apenas para a palavra em si, é impossível determinar se estamos falando da Festa das Semanas ou da Festa dos Juramentos. A interpretação tradicional vai na primeira direção.

A Explicação de Jubileus
Vamos, portanto, conhecer a posição menos tradicional. Abaixo, um trecho do Livro de Jubileus:

“E ele deu a Noé e seus filhos um sinal de que não haveria mais dilúvio na terra para destruí-la por todos os dias da terra. Por essa razão, está ordenado e apontado nas tábuas celestiais, que devem celebrar a Festa dos Juramentos neste mês uma vez por ano, para renovar a aliança todo ano.

E esse festival todo era celebrado no céu desde o dia da criação até os dias de Noé – vinte e seis jubileus e cinco semanas de anos – e Noé e seus filhos o observaram por sete jubileus e uma semana de anos, até o dia da Morte de Noé.

E desde o dia da morte de Noé os seus filhos o aboliram até os dias de Abraão. E comiam sangue. Mas Abraão o observou; e Isaque e Jacó e seus filhos o observaram até os teus dias. E nos teus dias os filhos de Israel se esqueceram dele até tu o celebraste renovado sobre esta montanha.

E ordena os filhos de Israel a celebrarem esta festa por todas as suas gerações. Pois é a Festa dos Juramentos e a Festa das Primícias: essa festa tem duas partes e é de dupla natureza.” (Jubileus 6:15-21)

Como se pode perceber, para o autor de Jubileus, Shevu`ot, a Festa dos Juramentos, não é apenas uma festividade agrária. Ela é a mais importante de todas as solenidades, quando os filhos de Deus deveriam renovar suas alianças perante eles.

Isso era levado extremamente à sério na comunidade de Qumran, que possuíam uma cerimônia elaboradíssima para a renovação desses votos. E, o mais curioso, é que para Jubileus isso não se restringe a Israel, mas foi estendido a toda a humanidade.

Como as festividades de Israel adquiriram, ao longo do tempo, caráter bastante nacionalista, frequentemente celebrando momentos importantes de sua história, era raro ver a recomendação de que essas festividades fossem celebradas por toda a humanidade. Embora, haja traços disso em textos como, por exemplo, Zacarias 14, a referência parece ser a uma homenagem a Israel e seu papel.

A posição do autor de Jubileus é bastante incomum e curiosa, estendendo a obrigatoriedade a todos os povos.

De Festa Agrícola a Festa da Aliança
Muito provavelmente, a origem dessa leitura de Jubileus é a mesma que veio a associar a Festa das Semanas com a outorga da Lei Mosaica, embora a própria Lei Mosaica nada diga a essa respeito.

Isto é, uma vez que se estava no exílio, com o Templo em ruínas, ficava difícil se identificar com uma festividade que comemorava basicamente a entrega das primícias da segunda colheita da primavera. O mesmo vale para comunidades, como Alexandria e Qumran, que haviam rompido com o sistema do Templo

Um dado no relato de Jubileus também é interessante: O esquecimento da celebração. Muito provavelmente, essa celebração havia passado a ser secundária para os israelitas exilados.

A solução de associá-la a algo tão importante – a renovação da aliança – visava justamente o resgate de seu status. Provavelmente, o mesmo benefício que se viu fazendo a associação da festividade com a Outorga da Lei Mosaica, algo que perdurou na linha mais tradicional.

De todo jeito, percebe-se um fenômeno bastante interessante: A festividade permanecendo, mas as razões para ela sendo modificadas com o tempo. Isso se pode perceber não apenas nessa, mas em todas as festas bíblicas e até mesmo algumas festas extra-bíblicas, tais como Hanuká.

No Cristianismo, o mesmo fenômeno se observou, com a adoção de festividades e costumes das religiões pagãs, adaptados à fé nascente.

É mais fácil mudar a explicação do que combater uma prática já estabelecida, da mesma forma que é mais fácil dar uma boa razão para a festa do que tentar convencer o povo a celebrar algo que já não faz mais parte de sua realidade.

Conclusão
O autor herege entende que Shavu`ot (Semanas) é a leitura mais original, pois a origem agrícola é inegavelmente a mais antiga. O próprio texto de Jubileus, fazendo alusão ao “duplo sentido” da festividade indica que sua leitura é inovadora.

Porém, a prática de reler palavras hebraicas com outras vogais para dar novo sentido foi bastante importante na época do Segundo Templo. Foi, inclusive, o que fez com que as sete semanas profetizadas por Jeremias se tornassem as setenta semanas de Daniel (deixo essa pesquisa a cargo do leitor.)

O texto de Jubileus pode explicar porque às vezes vemos mandamentos tão fortes ou severos para coisas aparentemente de importância menor: Seria difícil entender porque a aliança com Deus dependeria de uma simples cerimônia de renovação de votos.

Quando compreendemos, porém, que esse peso veio para evitar o esquecimento, podemos entender melhor os motivos do autor e até mesmo apreciar sua tentativa de salvar sua cultura religiosa.

Bibliografia
CHARLES, R. H. The Apocrypha and Pseudepigrapha of the Old Testament. Oxford: The Clarendon Press, 1913.

DAVENPORT, Gene L. The Eschatology of the Book of Jubilees. Leiden: Brill, 1971.

VERMES, Geza. The Complete Dead Sea Scrolls in English. Londres: Penguin Books, 1995.

WISE, Michael; ABEGG Jr., Martin; COOK, Edward. The Dead Sea Scrolls: A New Translation. HarperCollins: São Francisco, 2005.

George H. Schodde. The Book of Jubilees. Columbus: Lazarus Ministry Press, 1999.

Robert Henry Charles. The Book of Jubilees: An Ancient Jewish Religious Work. Oxford: The Clarendon Press, 1895.

Quando Elias e a Profecia Retornaram a Israel

Promessas Proféticas

“Eis que eu vos enviarei o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor.” (Malaquias 4:5)

A enigmática profecia feita por Malaquias gera, até hoje, muita discussão com relação à pergunta que ela própria deixa: Quem cumpriu a profecia do retorno do profeta Elias, ou quando ela viria a ser cumprida?

Para deixar as coisas mais enigmáticas, uma profecia de Oséias diz:

“Porque os filhos de Israel ficarão por muitos dias sem rei, e sem príncipe, e sem sacrifício, e sem estátua, e sem éfode ou terafim.” (Oséias 3:4)

Muitos associam ambas as passagens e entendem que o retorno de Elias marcaria também o tempo em que a profecia voltaria a Israel. Hoje em dia, as religiões entendem que isso ainda está por se cumprir. Mas, nem sempre foi assim.

E muito antes da associação que viria a ser feita pelos cristãos entre João Batista e Elias, o povo judeu já havia feito outra associação de Elias com um personagem de sua história.

O Sumo-Sacerdote
Refiro-me a João Hircano (Yo’hanan Hurqanus, no hebraico). Filho de Simão o macabeu e, portanto, sobrinho de Judá o macabeu, João Hircano foi sumo sacerdote na região da província independente da Judéia por trinta anos, entre 134 a.e.c. e 100 a.e.c..

A biografia de João Hircano é extensa demais para ser citada neste artigo, porém a figura de João Hircano geralmente é cercada de amor e ódio, como ocorre com todo líder forte.

Uma pessoa de muitas posses, João Hircano reabasteceu o Templo do Senhor com muitos tesouros, frutos de sua imensa generosidade. Uma pessoa bastante compromissada com sua fé, João Hircano combateu o helenismo e foi muito querido pela seita dos fariseus, no começo de sua existência.

Amado e Odiado
Porém, viria a ser visto com desconfiança pelos próprios fariseus, quando começou a se aproximar dos saduceus. Há quem diga que isso ocorreu por afinidade doutrinária e há quem diga que isso aconteceu por pressão dos fariseus de que ele abdicasse do trono de Israel em favor de um descendente da família de Davi.

Também foi odiado por samaritanos, em virtude de sua guerra com Samaria, bem como visto com desconfiança também pela seita de Qumran, que esperava que Israel fosse governado por um sacerdote da linhagem de Zadoque.

Profeta ou Falso Profeta?
Porém, há três referências históricas a ele que impressionam. Observe o que diz o historiador judeu Flavio Josefo (século 1 d.e.c.):

“Quando [João] Hircano colocou fim a essa divisão, depois disso viveu alegremente e administrou o governo da melhor maneira por trinta e um anos e então morreu, deixando depois dele cinco filhos. Ele era estimado por Deus como digno dos maiores privilégios – o governo de sua não, a dignidade do sumo sacedócio e a profecia; pois Deus era com ele e o capacitou a conhecer o futuro; e a prever, particularmente quanto a seus dois filhos mais velhos, que não continuariam nos assuntos públicos do governo; cuja infeliz catástrofe será digna de nossa descrição, para que possamos então aprender quanto a como foram inferiores à fortitude de seu pai.” (Antiguidades 13:10:7)

Josefo afirma categoricamente que ele teria tido dons proféticos. Mas, o mais curioso é que a seita de Qumran, do século 2 a.e.c., confirma isso, porém o categoriza entre os falsos profetas de Israel, dizendo:

“[F]alsos profetas que se levantaram em I[srael:] Balaão [filho de] Beor; [O] idoso de BEtel; [Zede]quias filho de Que[na]aná; [Aca]be filho de C[ol]aías; [Zede]quias filho de Ma[a]séias; [Semaías o n]elamita; [Hananias filho de A]zur; [João filho de Sim]ão… [o profeta que foi de Gibe]ão.” (4Q339)

Para que se tenha uma ideia da importância de João Hircano, todos os demais nomes listados nesse manuscrito são de pessoas descritas pela própria Bíblia. Ao que tudo indica, essa lista foi compilada justamente com o propósito de dizer que o sumo-sacerdote João Hircano teria sido um falso profeta.

Se ele era tido como falso profeta, então isso significa que realmente seus supostos dons proféticos seriam conhecidos pelo povo.

Rei, Sumo-Sacerdote, Profeta e… Elias
E o mais impressionante é que esse pensamento acerca de João Hircano perdurou bastante, pois o Targum Pseudo-Jonathan, do século 8 d.e.c., afirma:

“Abençoa, Senhor, o sacrifício da casa de Levi, que dá o dízimo do dízimo; e a oblação pela mão de Elias o sacerdote, que oferecerá no monte Carmelo, recebe-a com tua aceitação; quebra os lombos de Acabe seu inimigo e o pescoço dos falsos profetas que se levantam contra ele, que os inimigos de João o sumo sacerdote não tenham pé em que se levantar.” (Targum Pseudo-Jonathan – Deuteronômio 33:11)

Aqui temos uma identificação de João Hircano como o próprio Elias! Certamente que essa tradição é bastante antiga e reflete a grande popularidade do sumo sacerdote, bem como o reconhecimento do povo de seus dons proféticos.

Como se pode perceber, os dons proféticos de João Hircano eram bastante conhecidos em Israel. Curiosamente, se ele era um falso profeta ou um profeta verdadeiro tem mais a ver com conflitos e disputas políticas do que com cumprimento, ou não, daquilo que dizia.

De fato, na época do Segundo Templo, a profecia não era tida como um dom perdido, mas sim algo bastante presente. Há, por exemplo, inúmeros manuscritos do Mar Morto que fazem profecias acerca do destino de Israel, da Era Messiânica e até do fim dos tempos.

O que elas dizem? Isso é assunto para outros artigos hereges.

Conclusão Herege
Como este é um site de natureza histórica, não compete ao autor herege avaliar se João Hircano foi ou não um profeta, ou seria o cumprimento da profecia de Malaquias sobre o retorno de Elias.

Porém, é inegável que João Hircano, além de rei sobre a Judéia e sumo-sacerdote, era também tido como um grande profeta por muitos e um falso profeta por seus adversários.

Em virtude das aspirações das religiões em estabelecer suas visões tradicionalistas, essa associação e atribuição foi para sempre esquecida, lacrada a sete chaves, mas ainda lembrada pelos livros históricos e teses acadêmicas.

Bibliografia
VERMES, Geza. The Complete Dead Sea Scrolls in English. Londres: Penguin Books, 1995.

JOSEFO, Flavio. Whiston, William. The Antiquities of the Jews. Project Gutemberg, 2001.

WISE, Michael; ABEGG Jr., Martin; COOK, Edward. The Dead Sea Scrolls: A New Translation. HarperCollins: São Francisco, 2005.

John Wesley Etheridge. The Targums of Onkelos and Jonathan Ben Uzziel: On the Pentateuch With The Fragments of the Jerusalem Targum From the Chaldee. 1862.